quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

culpa sua.

meu deus, 23 de dezembro.

tentar explicar o que foi esse ano é muito complicado porque foram várias coisas em um ano só. mais do que qualquer outro ano, eu pude me jogar em uma situação sem olhar pra trás, sem me perguntar se aquilo era certo ou se eu me arrependeria. não. não me questionei em nenhum momento. todas as minhas ações não foram pensadas. e revendo cada momento desse ano, só me arrependo de uma ou outra coisa que fiz.

ao fazer a minha lista de resoluções no primeiro dia do ano com as minha meninas, eu não me preocupei com um novo amor. eu não precisava de um novo. os velhos tinham acabado de desistir de me assombrar e eu estava adorando esse sossego, essa solidão, esse poder-dormir-sempre. e pretendia ficar assim o ano inteiro, com casos sem solução, com ônibus de madrugada, com paredes coloridas e com imprecisão. muita imprecisão.

até que a gente se esbarrou no corredor de um hotel em outro estado.

ainda bem que meus planos deram errado.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

do vício

eu não bebo mais café por causa do estômago, mas sinto tanta falta. na falta de um vício, arranjo outro: o de comer. e fatalmente criei aquela barriguinha charmosa que nunca mais vai ir embora, claro.
ontem, eu tava sentada num banco de igreja que sabe-se-lá-porquê foi parar em um corredor e eu não conseguia parar de pensar que se eu estivesse com um copo de café eu não estaria engolindo em seco pra não chorar. e, provavelmente, não estaria sentada em um banco - muito desconfortável, por sinal - de igreja. ele chegou, me pediu pra não chorar por causa de um livro e me deu aquilo que substitui meu café: as guloseimas.
acabou que ontem eu não chorei. nem no banco de igreja, nem na minha cama, nem no colo dele e nem no chuveiro.
em vez disso, fiquei pensando naquela vez que eu fui ao médico e ele disse pra mim que eu era nova demais pra ter problemas e me mandou ir embora.
acho que o médico teve razão em me mandar embora do consultório sem falar mais nada.
eu também não falei mais nada, só tomei café.

domingo, 4 de julho de 2010

Lealdade

eu só queria te dizer que quando eu estou distante é porque a proximidade me dá medo. e quando eu fungo no escuro é porque meu olho lacrimeja de vez em quando. e quando eu disse 'não' à tua pergunta sobre flores, no fundo eu quis dizer 'sim', mas não disse porque não existem flores que não me remetam ao passado e o meu passado é um lugar que eu não gosto de visitar. e naquela vez que eu fiquei calada na volta pra casa, eu queria mesmo era falar que foda-se-eu-gosto-de-você-de-qualquer-jeito, mas não conseguia porque minha garganta tinha fechado.
e por fim, queria te dizer que não importa. e eu não estou mentindo. não dessa vez.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

efêmero

e quem disse que tem que fazer sentido? deixa essa coisa ser doida, bipolar, tripolar, mau-humorada, amor, ódio ou qualquer outra anormalidade que já foi ou vai ser. deixa eu me apaixonar só pelo seu braço, só pelo seu vício, só pela sua doença, pela sua fraqueza. eu não me importo. quer dizer, me importo. muito. sempre. o tempo todo.
digo que não, mas sinto que sim. finjo o tempo todo. sou dissimulada e mentirosa. irritada e grosseira. e não me importo. mentira.

a bagunça nunca sumiu daqui. o que muda são os que tentam enfrentar. e pelo histórico, nunca conseguiram.
mas deixa. deixa pra lá. o clima é frio, a lua se encontra num estado lindo de morrer, meu estômago só dói de fome e o meu aquecedor funciona perfeitamente.
traz tua caneca e me conta daquela tua vida que tu tinhas antes de me encontrar.

domingo, 9 de maio de 2010

Querido domingo,

Um copo de café. Não, café não. Acabei de lembrar que não posso mais tomar café por motivos estomacais. É, um vício a menos. Que seja chá, então. Também é quente e é de qualquer coisa quente que eu preciso agora.
Uma caneca de chá. Agora sim. Lembrei o momento que decidi colecionar canecas. Coleção boba, algumas cidades, alguns musicais. Mas tudo tão grande, tão cheio, tão frágil. Imagino o que seriam das minhas noites de domingo sem aquela caneca azul enorme.

O problema é que hoje eu quis estar só. Eu fugi do calor de casa e vim parar no apartamento que me faz tremer e querer mais espaço. Eu quis um filme e um cobertor, e nada maior pra se pensar. Não tem erro, faz frio, chove, minhas meias são grossas e eu uso cachecol no meu quarto. Presenteei a todos e esqueci de me perdoar.
Tudo bem, a culpa não pesa tanto assim.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Do you have soul?

Essa sou eu numa segunda-feira com frio, vestindo a camiseta do "Maria Eugênia Não Come Rapadura" feita especialmente pra mim pelo meu irmão, esperando a lasanha light de peito de peru descongelar no forno e ouvindo Billie Holiday. Essa sou eu querendo desesperadamente não ter que comer nada saudável, não ter que me recuperar de dois dias de muita febre e muito suor, não ter que receber minha mãe em casa pra poder arrumar o guarda-roupa. Essa sou eu recebendo ligações mais que desejadas, recados quase esquecidos e e-mails de muito amor. Essa sou eu podendo saber de tudo e não querendo saber de nada. Essa sou eu não podendo sentir dor, adorando não sentir, mas sentindo falta de sentir alguma coisa. Essa sou eu esquecendo do passado, aproveitando o presente e esperando pelo futuro com suor nas mãos e chuva nos pés.

Essa sou eu num dia qualquer, numa cidade qualquer, num humor qualquer.


sexta-feira, 5 de março de 2010

Nos frascos de remédio, nenhuma certeza

Meus dias têm sido difíceis. Apesar da autoconfiança e das ótimas companhias que me cercam, meu interior dói. Pode ser por causa dos muitos remédios que eu ando tomando para diversas coisas diferentes ou por causa de um álbum que anda no meu repeat há umas boas semanas.

Fico me ouvindo cantar que você tem medo demais e isso não sai da minha cabeça. E tudo é lento demais. Demais. Não suporto esperar, independente do motivo.

Nesse frio que tem feito, eu não tenho muitas opções. Mesmo depois de ouvir que o meu cheiro ainda é o mesmo, um ano depois de ouvir que o meu cheiro é muito bom. Eu não esperei por isso. Nem vou esperar por nada.

Eu não espero por ninguém.

terça-feira, 2 de março de 2010

I think you're crazy, maybe

Não abandonei. Não esqueci. Me mantenho quase a mesma. Um pouco mais magra, e um pouco mais gorda de vez em quando. A mesma impulsividade e aquela quase intensidade que atrai alguns e espanta outros.
O que mudou foi a capacidade de praticar o desapego. Nunca foi tão fácil olhar pra trás e pensar 'Tá bom. Passou. Posso continuar?'. Não tive que fazer nenhum esforço pra deixar aquele que me assombra há anos parar de me atingir. Esse ano, as grosserias não me deixaram preocupada ou chateada. É bom não se arrepender das suas decisões.
E o que eu espero desse ano é não esperar nada de ninguém. E continuar sendo impulsiva, compulsiva e quase intensa.