Porque eu não sei mais. Começa com um sonho estranho e vai tudo desmoronando aos pouquinhos, tudo o que eu construí com tanta de dedicação, tanto carinho e tempo. São fotos, são pensamentos, são lembranças, são textos. Aquela caixa. Um cartão e uma letra de criança. O “eu sei” de sempre e uma vontade louca de serrar os dedos.
Prometi que não teria mais fantasmas por aqui, mas você me assombra até quando me odeia e eu te odeio até quando não odeio mais.
sábado, 5 de setembro de 2009
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2 comentários:
não falo mais nada sobre o velho... só comento e tento relembrar o novo. veja só, os sorvetes no fim de tarde podem ser com ele agora. tudo bem, os sorvetes na praia, com vento e maresia, com adolescência, saias 36 e pés no mar deixam saudade (e veja só eu falando do velho). mas agora que outros fins de tarde me esperam? já tenho coisas pra ficar com saudade, já tenho vontade. ontem ele me disse: "sua voz não é assim né? não me lembro da sua voz" (estou rouca) e agora eu penso, quanto tempo demora até ele lembrar da minha voz, da afinação e desafinação habitual, dos tons graves quando falo alto e dos tons doces quando falo pra ele? e ai eu entendi agora, que tudo leva tempo. que nada era tão forte e tão perfeito no começo. e que tanto os velhos quanto os novos começam do mesmo jeito sem jeito. começam meio bambos, com certas vergonhas e descobertas. é tão injusto querermos que tudo comece pelo o que deixamos no fim. tudo é construção. tudo é aos poucos, até se tornar importante, até ter lembranças, até criar histórias, até crescer. até criar caixas e músicas temáticas, até fazermos textos e chorarmos no travesseiro de tanto amor. o problema é que queremos tirar o bolo do forno antes da hora. tira mão desse forno, menina. já diriam nossas mães.
Vontade de colocar alguém infinitamente bom (e também mau, porque só bom é um saco) que faria seu peito palpitar acelerada e verdadeiramente dentro de uma caixinha e te dar de presente.
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